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terça-feira, 23 de março de 2010

:. ESPECTRO .:


Quando o viver se torna um tormento,
quando os sonhos se fazem em vão,
quando as sombras nos trazem um alento,
quando a luz nos ofende a visão.

Quando o álcool se torna um remédio,
quando a lágrima uma grande amiga,
quando a felicidade se transforma num tédio,
quando a melancolia soa como uma doce cantiga.

Quando a oração já não faz mais sentido,
quando o amor é um imenso castigo,
quando, no caminho, me sinto perdido,
quando a saudade é um sentimento antigo.

Quando sua presença já não me causa emoção,
quando nada mais no mundo tem importância,
quando o acordar já não tem mais razão,
quando não distingo a humildade da arrogância


Então o que sou, um espectro do meu passado, da minha glória?
Renego toda a minha existência, toda a minha história,
me apego às minhas dores, aos meus horrores, à minha apatia, ao desconforto,
que, por desgraça, por castigo, respiro ainda, apesar de há muito já morto.

Saavedra Valentim · Vitória, ES

Um comentário:

Lucilene disse...

Então o que sou, um espectro do meu passado, da minha glória?


Uau! Profundo!


Um beijo.